Blog - Um Educador em dois mundos

QUINTA-FEIRA, 08 DE JUNHO DE 2017

O cinema e minha vida

O cinema e minha vida:
Sempre gostei de filmes. Ir ao cinema sempre foi minha opção preferida de lazer. Ultimamente só consigo ver filmes nas telinhas dos aviões. Os diretores de fotografia devem ficar chateados comigo porque perco toda a arte que colocaram no filme. Mas tudo bem. Gosto de filmes clássicos, acredito que Cidadão Kane é o melhor filme de todos os tempos e que Rosebud é essencial. Já assisti a Casablanca algumas vezes e, para provar que sou eclético, Across The Universe (olha nós dois aí Lu) virou mito em casa e tenho até o DVD e CD com as músicas. Enfim, são tantos e tantos filmes que não teria espaço para citar aqui. Ultimamente, alguns me fizeram pensar e isto é bom. Analisar coisas, tentar tirar alguma lição de algo e, acima de tudo, ver que aquilo te modificou de alguma forma, é o que sempre tentei dizer para os meus alunos e para quem trabalha comigo. Tenho pena dos medíocres que tem certezas sobre tudo e empacam nesta posição. Não evoluem.
Voltando aos filmes, para falar dos recentes, adorei Avatar (tem uma nova atração linda no Animal Kingdon), fiquei maravilhado com as cenas de Gravidade, pensei sobre bullying no filme Em um mundo melhor, fiquei meses chocado com Melancolia, um filme que quase todos odiaram e eu adorei porque, para mim, trata do fim, da morte, de uma forma única (a ciência morre, os normais se desesperam e só os loucos a compreendem) e meu último caso de amor com o cinema foi La La Land. Já falei dele aqui. Me trouxe uma grande onda de felicidade. Músicas lindas. atores ótimos e um sorriso final que mostra que a vida pode ter um rumo feliz, mesmo que de uma maneira inesperada e não planejada.
Todas as vezes que venho para os USA, quando visito as escolas daqui, observo como vivem as pessoas, penso que meu destino era outro. Uma mudança inesperada me fez viver isto. E quanto mais vivo, mais gosto. Sinto, o tempo todo, que estou em um filme de Hollywood. É bom demais.
Não digam que sou cego. Todos os lugares tem problemas, é claro. E eu sou, sempre, muito crítico. Minha escola (Colégio Vocacional – em São Paulo) me ensinou a ser assim. Até na Toscana ou na Costa Amalfitana eu enxergo problemas. Mas adoro estar vivendo em um filme. Parece que, ao parar em um farol de trânsito, a qualquer momento, as pessoas que atravessam a rua vão iniciar uma coreografia e dançar alegremente.
Estou feliz. O que me entristece é que não consigo transmitir isto para todos aqueles que me interessam. Mas vou tentar. É uma boa missão. Quem sabe, em um final inesperado, eu consiga.

QUINTA-FEIRA, 01 DE JUNHO DE 2017

Honra ao Mérito

Honra ao Mérito
Esta semana tem sido muito dura. O ritmo de trabalho é intenso. Um novo ano letivo vai começar em nossa escola americana. A segunda escola está quase pronta e sendo preparada para iniciar suas atividades. A terceira entra, agora, em fase final de obras. Ando mais de 200 km por dia indo de um lado para outro buscando ajudar a deixar tudo pronto.
Estava no meio da obra de nossa terceira escola quando recebi um telefonema. Acabamos de receber uma carta de nosso franqueador. Dentre 162 escolas da rede Kiddie Academy nos Estados Unidos fomos nomeados para receber 5 prêmios referentes a 2016.
Podemos ser: 1- A escola com melhores práticas; 2- A melhor nova escola do ano; 3- A melhor nova escola em percentual de utilização; 4- A melhor diretora do ano; 5- Melhor escola em serviços aos clientes e vendas.
Confesso que li a carta algumas vezes para acreditar. É um reconhecimento oficial por tudo o que fizemos aqui. Para mim, brasileiro, tentando iniciar algo novo no país que é referência em empreendimentos, é quase inacreditável receber este resultado. E tão rápido.
Isto me dá novas forças para seguir em frente. A luta é árdua e, normalmente, solitária. Claro, tenho algumas pessoas que estão sempre comigo e que, sem elas, nada disto seria possível. Mas o prazer de ser reconhecido por grandes parceiros daqui é algo indescritível. São muitas decisões tomadas que resultam neste resultado. Com base em valores e nas coisas nas quais sempre acreditei. Transparência, clareza e compartilhamento de objetivos, valorização das pessoas, boas práticas e regras justas e sempre cumpridas, etc… 
Empreender. Aqui é muito mais fácil. Tem regras claras, segurança jurídica e, com um bom plano de negócios, é possível se dar bem. No Brasil, sem comentários.
Mas brasileiros, virem aqui, na terra do Tio Sam, e estarem ganhando este jogo desta forma, mostra que o problema do país não somos nós.
Nosso país poderia ser muito melhor se nos deixassem trabalhar.
Mas nos próximos dias vou me dedicar a saborear a vitória. Aprendi que isto nos fortalece. E podem se preparar porque vem mais.  

QUINTA-FEIRA, 25 DE MAIO DE 2017

Choque de realidades

Choque de realidades:
Enquanto via Brasília em chamas, exército convocado e o pau quebrando, aqui nos USA vejo um outro momento. No Brasil, corrupção que deve ser exterminada, a JBS barganhando se vai devolver 1, 5 ou 10% do que nos roubou, políticos fazendo discursos inflamados e as centrais sindicais usando seus asseclas e a carneirada para impedir mínimos avanços. Aqui as inaugurações não param. Novas coisas surgem todos os dias. Para falar, apenas, de turismo nesta semana surge o novo parque aquático da Universal (Volcano) e o mundo maravilhoso de Pandora (do filme Avatar) no Animal Kingdon, da Disney. Recordes de turistas, projetos gigantes em todas as áreas (Lake Nona, a cidade médica, já é uma realidade) e o governador valorizando a mínima presença do estado para fazer a Flórida crescer. É muito comum aqui ouvirmos que quando o governo gera um emprego ele está tirando dinheiro da população e que quem deve gerar emprego é a iniciativa privada, que gera recursos e riqueza.
Para mim, um momento único. Nossa primeira escola em Clermont é um grande sucesso. Hoje teremos nossa primeira formatura, com alunos de 4 e 5 anos. A evolução destes alunos nos testes estaduais foi impressionante, mostrando que nossa opção pela Kiddie Academy e pelo seu projeto pedagógico Life Essentials foi correta. A escola está lotada e já é um “case”de mercado. Tivemos, para o Summer Camp, o triplo da procura que poderíamos atender. Em julho inauguramos nossa segunda escola em Apopka e até o final do ano a terceira em Conway. Já temos planos para muitas outras.
No Brasil nossas escolas sobrevivem, mas com muito sofrimento dos pais, economia de guerra, aumento de inadimplência e os muitos problemas causados pelas normas e regulamentações diárias. O projeto schoolmark vai bem, mas um alvará pode levar meses.E os imbecis de sempre fazem os discursos de sempre.
É duro viver entre estes dois mundos. Ver Brasília em chamas e, em seguida, ver Volcano ou Pandora faz a gente pensar muito.
Sou incompetente para mostrar todas as diferenças de valores, regulamentações, atitudes e outras. Mas tenho vontade de filmar um dia na vida de uma professora nossa daqui e mostrar para meus professores no Brasil. Tenho certeza que todos entenderiam as diferenças e começariam a questionar os porquês. Nossa carga tributária daqui sobre o salário da professora é de 8,5%. Pasmem. No Brasil pode chegar a 100%. E os canalhas brigando para continuar assim.
Penso que evoluí muito neste período. Conheci uma parte do mundo em muitas viagens e tento aproveitar o que vi funcionar em cada local. Gostaria de mostrar a todos.Vou continuar tentando.

AUTOR

Maurício Fraçon

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