Blog - Um Educador em dois mundos

QUINTA-FEIRA, 29 DE JUNHO DE 2017

Schoolmark

schoolmark
Hoje é um dia de grande simbolismo para mim. Teremos o coquetel de inauguração do schoolmark.
Em um cenário confuso (como sempre) da economia brasileira investimos muito e vamos inaugurar oficialmente o primeiro shopping de educação do país. Muitos me perguntam: vocês estão loucos? investir agora? neste cenário? A resposta é que estamos investindo em Educação e, em minha opinião, só isto pode mudar um país a médio e longo prazo.
Teremos já contratadas 8 escolas, lideres em seus seguimentos, funcionando em um mesmo local. Para as famílias a facilidade logística é obvia. Para os empreendedores cria-se, em vários aspectos, uma sinergia que permite baratear os custos de investimento e que cada um fique focado no que sabe fazer melhor: a sala de aula.
Teremos escolas de ensino médio, idiomas, informática, tecnologia, música, dança, culinária e educação executiva em um mesmo local. Ainda incorporaremos outros cursos em muito breve.
Foi uma difícil trajetória, como sempre. Burocracia infernal, procedimentos confusos, tudo é muito difícil. Mas insistimos e, finalmente, conseguimos.
Como sempre, nenhuma ajuda. Governo, bancos e outros agentes assistem e não podem fazer nada. Sem as cruéis conexões políticas não se consegue nada neste país. Mas fizemos.
E vamos vencer, ser um sucesso, um case, inovadores e destemidos. Se dermos certo. Senão, loucos, irresponsáveis, etc…
Eu me divirto com isto. E continuo e continuarei investindo em Educação. Aqui e nos USA, onde é muito mais fácil, previsível, com segurança jurídica, etc…
Insisto em deixar um legado para um país que sempre me tratou muito mal. Nasci aqui, trabalhei quarenta anos em Educação aqui e construí um nome que, hoje, é reconhecido entre meus pares.
Apesar de tudo.
É um último gesto para este país. Depois, vou me embora para Pasárgada.

QUINTA-FEIRA, 22 DE JUNHO DE 2017

Tempos Difíceis

Tempos Difíceis:
Nesta semana conversei com dois pais de alunos em nossa escola brasileira. Muita tristeza e angústia. Preocupação com o futuro. Ambos tem filhos conosco desde o século passado. Boas famílias, bons alunos. Me contaram um pouco da trajetória de seus filhos em nossa escola e me fizeram lembrar de momentos bonitos que vivemos juntos.
Agora, temem pelo que virá. Um faz parte dos 14 milhões de desempregados que restaram neste país após os anos gloriosos de nossa linda administração republicana. O outro, coitado, pequeno empreendedor que não sabe mais o que fazer para manter seus negócios. Ambos me pedem ajuda para manter seus filhos em nossa escola.
O que posso fazer? Pagamos impostos até para respirar. Nossa carga tributária sueca resulta em serviços do Afeganistão. Temos que pagar por tudo em dobro. Educação, saúde, segurança, transporte, etc…
Mas isto é óbvio e todos já sabem. Tenho margem para conceder mais descontos? Acho que não. Neste ano 40% do que deveríamos receber já se perde em bolsas de estudo. E a inadimplência só aumenta. Não porque não queiram pagar, simplesmente não podem.
Fui tomar um café com os dois, conversamos muito, ouvimos do dono da padaria que ele também não sabe o que fazer e que, provavelmente, após 39 anos no local, vai fechar seu negócio e voltar para Portugal.
Pelo menos, os quatro conversando ali por quase uma hora, nos vimos todos no mesmo barco. Vencemos preconceitos e entendemos nossas situações. Para o desempregado surgiu uma luz. Liguei para um conhecido e ele vai fazer uma entrevista amanhã. Para o pobre empreendedor falei do novo plano de parcelamento tributário e ele vai ver se pode se encaixar nele. O português, cansado, reconheceu que Portugal é uma boa ideia. E eu vou, como sempre, tentar continuar minha trajetória de 40 anos na Educação. Tentando melhorar este país. Combinamos de nos encontrar em 15 dias para ver como estão as coisas. Se ainda existir a padaria, é claro.

QUINTA-FEIRA, 15 DE JUNHO DE 2017

For the Love of Music

For the Love of Music
Em uma noite da semana passada eu estava em casa sozinho. Após dois episódios de Star Trek (estou revendo todos) resolvi garimpar uma nova música no You Tube. Lembrei-me de algo que ouvi durante um almoço. Minha procura resultou em uma joia fenomenal. Procurem God Only Knows dos Beach Boys, em uma produção da BBC. Está no You Tube e na internet também. São 27 músicos do presente e do passado e uma linda orquestra que recriam esta música de uma maneira especial.
Após ver o clip inúmeras vezes, pensei várias coisas:
1- Como a BBC foi importante em minha vida. Quando era muito jovem, não existia internet, muitas vezes eu ficava na garagem da casa de meus pais com um rádio que sintonizava ondas curtas e ouvia três programas que vinham de longe em edição especial em Português para o Brasil: a rádio Central de Moscou, a Voz da América e a BBC de Londres. Aprendi muito ouvindo estes programas. Nem poderia imaginar, mas cheguei a sonhar que, talvez, um dia, eu pudesse visitar aqueles locais distantes. Já fui lá. A todos eles e foi emocionante ver que aquele menino da garagem chegou tão longe.  A BBC foi um marco de uma era que não existe mais.
2- Tem uma coisa constante em minha vida: minhas músicas. Hoje, com Apple Music (embora o som seja pasteurizado), tenho, em meu telefone, as 189 músicas que mais gostei na vida. Posso ouvi-las em modo randômico, em qualquer lugar e isto é muito bom. Minha coleção está aumentando com estas garimpagens. E ouço, pelo menos algumas, todos os dias.
3- Tornei-me um vovô musical. Minha neta mais velha canta, com frequência, duas musiquinhas que fiz para ela. E, pasmem, adaptou uma delas para que minha outra neta tentasse dormir.
Ser avô é fácil e dá muito prazer. Em minha opinião devo: dar carinho exagerado, transmitir valores permanentes e procurar ser um bom exemplo. Usar a arte (literatura, músicas, filmes, etc… para isto torna minha tarefa mais fácil.
Quando, por qualquer razão, estou triste ou preocupado, minhas músicas e meus netos me trazem de volta para as alegrias da vida. E tudo fica melhor.
Sempre pensei que a escola é um local para mostrar caminhos que poderemos percorrer, se quisermos, para que nos tornemos pessoas melhores. Infelizmente, em muitos casos, a escola traumatiza o aluno e aprender passa a ser um sofrimento e não um caminho para a evolução. Ou se preocupa, apenas, em circunscrever os alunos nas questões comezinhas daquele momento e daquele local. Muito pobre para uma luz que deveria iluminar ao seu redor.
Para mim, a BBC, as músicas, os filmes e as artes em geral sempre foram caminhos alternativos que me levaram a outras culturas, costumes, países, me deram amplitude de pensamento e, me tiraram da mediocridade passiva dominante. Pelo menos eu acho.
Vejam o clip da BBC. For the love of music!
E pensem com a música pode trazer grandes alegrias.

AUTOR

Maurício Fraçon

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