Blog - Um Educador em dois mundos

QUINTA-FEIRA, 20 DE JULHO DE 2017

Diário da Corte

Diário da Corte
Não, não sou o Paulo Francis. Mas gostaria. Era uma jornalista que eu tinha grande prazer em ler. Lia suas colunas, junto com meu velho pai e comentávamos como um ex-trotskista tinha se tornado um grande admirador da América.
Voltei para cá. Cheguei na segunda feira a noite, após grande temporal e uma espera anormal no aeroporto de Orlando.
Tudo continua como antes. Tudo funciona, tudo é prático, tudo arrumado. Apesar de um começo um pouco conturbado do novo presidente, nada mudou. O sistema (e suas instituições) é forte mesmo.
Nossa segunda escola está linda. A terceira muito avançada. Muito trabalho pela frente.
É bom saber que o mundo pode funcionar de novo. Vejo todos felizes, economia a pleno vapor, pleno emprego. A roda da fortuna girando forte.
Gostaria de ter visto isto neste mês que passei no Brasil. Não vi. Como já disse, voltei triste e preocupado com as pessoas que ficaram lá. Vai melhorar. Acho que sim. Quando e por quanto tempo? Ninguém sabe. Crises existem em todos os lugares e os resultados são dolorosos e terminam concentrando a riqueza. Sempre. Mas ao longo de meus 59 anos, só vejo o Brasil sair de uma crise para entrar em outra pior. Isto cansa. E no meio de tudo, bandidos demagogos posando de salvadores da pátria e fazendo seus discursos de sempre.
É bom estar aqui. É bom ver meu projeto ir em frente. O que foi planejado ocorrer, sem sustos, propinas, burocracia e canalhices.
É a corte. Muito bom viver aqui.

QUINTA-FEIRA, 13 DE JULHO DE 2017

Tempos Turbulentos

Tempos Turbulentos
Na próxima semana estarei indo para os USA, desta vez para trabalhar. Estou feliz e animado com o trabalho que terei que realizar lá. Serão duas novas escolas em breve.
Confesso que deixarei o Brasil preocupado. Estas últimas semanas foram muito difíceis aqui. O presidente poderá ser processado; o antigo presidente foi condenado, mas apesar de ninguém estar acima da lei, conforme sentença, não será preso porque, afinal, é um ex-presidente; passou a reforma trabalhista após uma confusão e prepotência de algumas senadoras quase inacreditável e muitas outras coisas mais como balas perdidas, etc…
São fortes emoções que deixam nosso país meio confuso e perplexo.
Apenas para eu entender vamos tomar três exemplos da confusão:
1- O presidente atual poderá ser processado e afastado. Embora pareça culpado e já tenham até um plano B para o cargo e, embora digam que não vai afetar a economia, creio que as reformas urgentes não vão acontecer. Ou seja, o país vai continuar sua trajetória rumo ao nada orgulhosamente, com ou sem o presidente atual.
2- O antigo presidente foi condenado. Para alguns a glória, para outros o início do fim de uma biografia (tem mais quatro processos correndo), para muitos a liberdade de uma poliítica que deixou o Brasil nesta crise miserável e que poderia voltar. Mas não foi preso, não se sabe quando será julgado em segunda instância, pode ser candidato ainda e sei lá mais o que. Já virou um mártir. E como o processo de comunicação deste pessoal é eficiente pode até sair mais forte disto tudo. Sei lá.
3- Foi aprovada a reforma trabalhista. Muita confusão para pouca coisa, mas, sem dúvida, uma pequena evolução que fica maior com o fim do obrigatório e inacreditável imposto sindical. Se é que vai acabar mesmo. Como é possível um país viver com mais de quinze mil sindicatos? Como é possível todos pagarem por algo que só alguns utilizam e que, como se sabe, nem sempre tem fins nobres? Como defender um sistema obsoleto que alimenta uma máquina que gera 11 mil novas reclamações por dia pelo que li nos jornais? Mesmo assim o que vi foi um show de horrores, de postura anti democrática, de um discurso político radical e raivoso e de atitudes que nem ditaduras célebres fizeram. Impedir o congresso de votar. Isto é demais. E vai ficar por isto mesmo.
Poderia falar mais. Mas como ficarão as pessoas daqui neste cenário? A crise vai passar? O novo vôo da economia será sustentável sem reformas? Os postos de trabalho voltarão? O que vai acontecer com as pessoas que aqui ficam?
Vou embora, mas torço para que achemos uma solução. Não acredito que vamos conseguir, mas que melhore um pouco, pelo menos, por algum tempo.
Fiquem bem e boa sorte! Vão precisar.

QUINTA-FEIRA, 06 DE JULHO DE 2017

Work Time

Work Time
Ontem retirei meu passaporte com o novo visto de trabalho norte americano. A partir de agora posso trabalhar nos USA. Posso cumprir uma carga horária e receber salário da empresa que administra as escolas americanas. Até agora eu atuei apenas na condição de investidor.
Isto me traz novas obrigações e responsabilidades. Embora eu já seja um contribuinte para a Receita Federal Norte Americana porque passei muitos dias nos USA nos últimos anos, a partir de agora terei meu Social Security e passarei a contribuir também como qualquer trabalhador dos USA.
Como já escrevi aqui, a carga tributária do trabalhador e da empresa nos USA é muito baixa. A empresa paga em média 9% do salário bruto e o trabalhador, dependendo do caso contribui com algo entre 9 e 11%.
Muito diferente daqui. No Brasil, para a empresa, sobre o salário bruto a contribuição chega a quase 70% e para o trabalhador, dependendo do caso, varia de 8 a mais de 20%. Por conta disto a diferença entre o que o trabalhador recebe e o que custa passa de 100%. O que vai para o Estado, como se sabe, é muito bem utilizado, gerenciado e retorna em benefícios para a população em saúde, educação, segurança, etc… Bem, aí eu acordei. Curiosamente, quando se tenta mexer, ainda que superficialmente, neste mecanismo perverso ocorre uma gritaria enorme. Os beneficiados por este conto do vigário são muitos, fortes e bem articulados. Tem bom poder de comunicação e querem que o país continue assim apesar do discurso falacioso de sempre.
Mas, refletindo sobre minha situação, cheguei a conclusão que fui muito honrado com este visto. Pretendo retribuir sendo um trabalhador exemplar nos USA. É incrível, mas temos um país aberto lá. Dos quase 300 milhões de habitantes, mais de 50 milhões são imigrantes, ou seja, não nasceram lá. E estou falando apenas dos imigrantes legais.
É uma diversidade étnica maior que a do Brasil. E, mesmo assim, tudo parece funcionar bem. Ainda tento entender as nuances e diferenças. Mas são notáveis e o resultado disto é que todos vivem melhor. Em um mundo cada vez mais complicado e diverso, creio que o American Way of Life pode ser o único caminho para um futuro melhor da humanidade. Porque já estive na Escandinávia, mundo que funciona muito bem, alta carga tributária com retorno assegurado aos cidadãos, mas um só povo e poucos imigrantes. É um modelo que não cabe em um mundo muito diferente.
Agora é minha hora de honrar este visto. Vou me empenhar muito e trabalhar como nunca. De certa forma, também honro o Brasil. O sucesso de um brasileiro na terra do Tio Sam pode ser um bom exemplo do que poderíamos ser aqui se não fosse a eterna canalhice.
Vamos a luta companheiros! A vitória será nossa! Kkkkkk.

1 2 3 8

AUTOR

Maurício Fraçon

Parceiros: