Blog - Um Educador em dois mundos

QUINTA-FEIRA, 25 DE MAIO DE 2017

Choque de realidades

Choque de realidades:
Enquanto via Brasília em chamas, exército convocado e o pau quebrando, aqui nos USA vejo um outro momento. No Brasil, corrupção que deve ser exterminada, a JBS barganhando se vai devolver 1, 5 ou 10% do que nos roubou, políticos fazendo discursos inflamados e as centrais sindicais usando seus asseclas e a carneirada para impedir mínimos avanços. Aqui as inaugurações não param. Novas coisas surgem todos os dias. Para falar, apenas, de turismo nesta semana surge o novo parque aquático da Universal (Volcano) e o mundo maravilhoso de Pandora (do filme Avatar) no Animal Kingdon, da Disney. Recordes de turistas, projetos gigantes em todas as áreas (Lake Nona, a cidade médica, já é uma realidade) e o governador valorizando a mínima presença do estado para fazer a Flórida crescer. É muito comum aqui ouvirmos que quando o governo gera um emprego ele está tirando dinheiro da população e que quem deve gerar emprego é a iniciativa privada, que gera recursos e riqueza.
Para mim, um momento único. Nossa primeira escola em Clermont é um grande sucesso. Hoje teremos nossa primeira formatura, com alunos de 4 e 5 anos. A evolução destes alunos nos testes estaduais foi impressionante, mostrando que nossa opção pela Kiddie Academy e pelo seu projeto pedagógico Life Essentials foi correta. A escola está lotada e já é um “case”de mercado. Tivemos, para o Summer Camp, o triplo da procura que poderíamos atender. Em julho inauguramos nossa segunda escola em Apopka e até o final do ano a terceira em Conway. Já temos planos para muitas outras.
No Brasil nossas escolas sobrevivem, mas com muito sofrimento dos pais, economia de guerra, aumento de inadimplência e os muitos problemas causados pelas normas e regulamentações diárias. O projeto schoolmark vai bem, mas um alvará pode levar meses.E os imbecis de sempre fazem os discursos de sempre.
É duro viver entre estes dois mundos. Ver Brasília em chamas e, em seguida, ver Volcano ou Pandora faz a gente pensar muito.
Sou incompetente para mostrar todas as diferenças de valores, regulamentações, atitudes e outras. Mas tenho vontade de filmar um dia na vida de uma professora nossa daqui e mostrar para meus professores no Brasil. Tenho certeza que todos entenderiam as diferenças e começariam a questionar os porquês. Nossa carga tributária daqui sobre o salário da professora é de 8,5%. Pasmem. No Brasil pode chegar a 100%. E os canalhas brigando para continuar assim.
Penso que evoluí muito neste período. Conheci uma parte do mundo em muitas viagens e tento aproveitar o que vi funcionar em cada local. Gostaria de mostrar a todos.Vou continuar tentando.

QUINTA-FEIRA, 18 DE MAIO DE 2017

Quando parece que vai…Não vai

Quando parece que vai…Não vai
Será que, realmente, alguém ainda se surpreende com as denúncias de corrupção no Brasil? Se sim, muita ingenuidade. O não sei de nada e sua turma ridícula e agressiva, o mordomo de filme de terror e sua turma decrépita, o mineirinho carioca que dirige bêbado e não faz teste, o só dou jóias para minha mulher e os empresários com cara de Marias Arrependidas não tem fim. Gostaria que, se isto não acabar em pizza, como sempre, alguém me devolvesse os impostos alucinados que paguei ao longo da vida para que estes canalhas, todos, vivessem muito bem.
Mas, mais do que os 14 milhões de desempregados, uma notícia me assustou nesta semana. Não vi ninguém comentar, mas foi destaque na UOL. É um corolário disto que vivemos no Brasil. Pasmem: no Estado de São Paulo, de janeiro a março de 2017, tivemos 2700 casos de estupro registrados e 2/3 foram cometidos contra vulneráveis (normalmente crianças menores de 14 anos). Em março (recorde) foram 30 estupros por dia sendo 20 contra vulneráveis. Só no Estado de São Paulo. A matéria, muito completa, tenta relacionar estes números com a pobreza. Extrapolem para o Brasil. Temo muito pelos meus alunos brasileiros. Li várias vezes a notícia porque achei um absurdo. Mas não li nenhum comentário nas redes sociais. Acho que nos acostumamos com estas tragédias nacionais. da mesma maneira nos acostumamos com aumento de criminalidade e coisas assim até que sejamos vítimas destes números.
Aqui em Pasárgada, quando uma criança é sequestrada, todos os celulares tocam um alarme. É o chamado alerta Amber. Todo o país é comunicado do ocorrido e busca os suspeitos. Acontece algumas vezes por ano. Todos ficam indignados.
Neste final de semana, minha querida netinha de dois anos e meio estava tomando banho, quando tocou o despertador do quarto ao lado. Ela disse:”precisamos sair. É o alarme”Resposta: então vamos correr. Ela retrucou:”vamos sair andando e de maneira organizada e nos salvamos todos”. Em nossa escola temos treinamentos mensais com alarmes de incêndio e outras situações de emergência. Fiquei feliz por ela estar aqui. Longe da podridão fétida que ocupou nosso país.
Come my friends. We are open for business. Now. There’s still time.

QUINTA-FEIRA, 11 DE MAIO DE 2017

Dá para Explicar?

Dá para explicar?
Conheci três casais idosos em um supermercado próximo a nossa escola. Foi sem querer. Na verdade, um deles, achou que poderia ter me atropelado. Eu parei na faixa de pedestre na entrada do mercado e ele passou com seu Camaro conversível, conversando com sua esposa, e não parou antes da faixa. Quando me viu, se assustou, pediu desculpas e ficou chateado. Alguns minutos após, dentro do mercado, me procurou para se desculpar novamente. Eu disse que era brasileiro e sempre parava nas faixa de pedestre porque, no Brasil, os carros não costumam parar. Muito curioso, quis saber o que eu fazia aqui e quando lhe contei, considerou fascinante eu estar investindo em Educação aqui e me apresentou para usa esposa e os outros dois casais que estavam no mercado comprando salgadinhos e cervejas para o jogo de baralho da noite.
Eles moram em um condomínio 55+. É algo comum aqui. Muito conforto para aposentados, campo de golfe, piscina, sauna, quadras de tênis, cinema, enfermaria, etc…
Um foi metalúrgico da GM, outro teve uma loja em que vendia lâmpadas, e o terceiro foi sargento do exército americano. Uma esposa foi professora, outa enfermeira e a terceira cuidou dos filhos.
As vezes os encontro aqui pela cidade e, confesso, fico com um pouco de inveja da vida que levam. Todos com mais de 70 anos, vivendo felizes e com inúmeras atividades. Vieram para a Flórida por causa do clima e trouxeram um pouco do dinheiro que faz esta roda da fortuna daqui girar.
Conto isto porque, ontem, fui almoçar no Culvers. Uma sensacional lanchonete aqui de Clermont. Um deles estava lá. Pediu para não contar para a esposa que estava comendo um sensacional butterburger e bebendo um Super Milk Shake. Disse que saiu para cortar o cabelo. Me perguntou o que estava acontecendo no Brasil. É raro vermos notícias do Brasil nas TVs americanas, mas o depoimento do Lula ao Moro deve ter sido noticiado. Cheguei a ver algumas comparações com a operação mãos limpas da Itália.
Tentei explicar ao meu amigo americano o que estava acontecendo. Depois de muto tentar ele falou: “não entendo. Um sujeito vira presidente para proteger os pobres, quebra o país, deixa milhões de desempregados, rouba com sua turma tudo o que existe e está se fazendo de vítima e culpando a mulher que morreu?”
Eu desisti de explicar. Mais tarde me encontrei com mais um empresário brasileiro que quer investir aqui. Quer porque quer. Perguntei a ele o porquê. Ele me respondeu: você consegue entender o que está acontecendo no Brasil?” Respondi: nem eu e nem meu amigo americano.
Que venha o dinheiro do Brasil. Os velhinhos e as crianças daqui agradecem.
Dá para explicar?

AUTOR

Maurício Fraçon

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