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QUARTA-FEIRA, 29 DE MARçO DE 2017

Terceirização: A discussão é esta?

Terceirização: A discussão é esta?
Tenho lido quase tudo sobre a nova lei de terceirização aprovada pela Câmara dos Deputados. Como sempre, opiniões pouco equilibradas e a tradicional confusão institucional. Tem outro projeto no Senado. Qual ficará?
Em nossa escola brasileira, se a lei da Câmara for aprovada, o que eu poderia fazer? Demitir todos os professores, colocá-los em uma cooperativa e contratar esta cooperativa para trabalhar pagando menos tributos? Não vejo esta possibilidade, até mesmo, porque os custos seriam muito altos. Para as outras atividades até poderia ser, mas também vejo problemas. Uma escola nova poderia começar assim, talvez. Sei lá.
O que me parece é que a discussão está errada. Eu seria mais radical. E faria como nos USA. No Brasil, em média, para um salário bruto de 10 mil, o trabalhador recebe uns 8 mil e custa uns 17 mil. São números aproximados, que variam para cada caso, mas que não fogem muito da realidade.
Para estes 9 mil que o trabalhador não recebe e a empresa paga temos: férias com 1/3, décimo terceiro, licenças, previdência social, fgts, etc….
Imagino, as vezes, que seria melhor pagarmos 8 mil mais metade do custo (4,5 mil) para o trabalhador (receberia 12,5 mil) e deixar cada um cuidar de sua vida.
Com este valor a mais (12,5 mil ao invés de 8 mil) poderia ter seu décimo terceiro antecipado, planejar suas férias, sua aposentadoria. As empresas gastariam muito menos, poderiam investir mais e contratar muito mais gente. É simplista, mas poderíamos aperfeiçoar esta ideia.
E o dinheiro que iria para a gestão governamental não seria roubado e mal cuidado. Seria um problema decidir o que fazer com os 17 mil sindicatos (a maioria dos países não tem mais do que 100) e com a multidão da Justiça do Trabalho, fiscais, etc… Mas poderíamos dar um jeito.
Sei que todo este arcabouço jurídico e legal surgiu para evitar a exploração do trabalhador. Mas, convenhamos, ficou grande demais e hoje existe apenas para se manter, em geral.
Parece loucura? Não é. Nos USA funciona assim e não parece existir trabalho escravo e nem exploração do trabalhador. Somos diferentes dirão, mas precisamos mudar.
Diminuir o governo é a solução. Já pensaram nisto? Melhor que a nova lei da terceirização.

QUINTA-FEIRA, 23 DE MARçO DE 2017

IDH

Se tem um indicador simples e bom para vermos como estamos, enquanto país, este é o IDH. Baseado em três dados (expectativa de vida ao nascer, anos de estudo e renda média) este indicador mostra como a riqueza ou pobreza de um país reflete em sua população.
Nesta semana tivemos a divulgação dos índices pela ONU com base em dados coletados em 2015. Continuamos em septuagésimo nono lugar dentre 188 países. Para a nona ou décima economia do mundo é uma mega vergonha.
Vejam o comparativo abaixo publicado pelo jornal O Estado de São Paulo:
expectativa de vida ao nascer: USA – 79,2; Argentina – 76,5; Brasil – 74,7
anos de estudo: USA – 13,2; Argentina – 9,9; Brasil – 7,8
renda per capita: USA – US$ 53000; Argentina US$- 20000; Brasil – US$ 14000
Estamos estagnados. E atrás até da Argentina que já passou por todos os tipos de populismo.
O pior é que a desigualdade aumentou. Pelo coeficiente de Gini, somos o décimo país mais desigual do mundo em um total de 143 países avaliados.
É fácil ver isto. Basta circular por qualquer local do país. E observem que estes dados são de 2015 quando começamos a entrar no abismo. Nem sei o que virá no próximo ano. Não adianta tentar entender o por quê de quem sempre denunciou a desigualdade ter contribuído para aumentá-la.
A melhor explicação, para mim, está na escola. Continuamos com um alto índice de evasão escolar (é só ver o número de anos de estudo acima) e só 17% dos jovens conseguem acessar uma faculdade.
Já ouvi gente boa dizer que o melhor é educar a elite. Neste caso teríamos chance de competir com os melhores países do mundo em rankings educacionais. Mas acho que nem isto conseguimos fazer. Isto é coisa para os países bem colocados no IDH, que não por acaso, possuem sistemas educacionais muito bem avaliados. Falta a base, a palavra chave de todo o processo que para mim é Meritocracia. Esta palavra é proibida em nossas tratativas trabalhistas, por exemplo.
Tristes trópicos. Triste Brasil. Pobres daqueles que anseiam por uma revolução educacional. Para nós o buraco é muito mais embaixo.

QUINTA-FEIRA, 16 DE MARçO DE 2017

Mudanças no ENEM

Em meio ao festival de denuncias e demagogias, neste ano, tivemos duas mudanças na Educação Brasileira. A primeira, mais importante, no Ensino Médio. Já disse aqui, que considero tímida, insuficiente, mas positiva. Estamos, agora, naquela fase de regulamentação. Se as corporações de sempre não mudarem tudo, teremos alguns avanços aqui.
Agora surgiram novidades no ENEM. Vamos analisar cada uma delas:
1- A prova será realizada em dois domingos e não mais em um final de semana. No primeiro domingo teremos 5 horas e meia para Linguagem, Ciências Humanas e Redação e no segundo domingo 4 horas e meia para Matemática e Ciências da Natureza. Para mim parece boa a mudança. Resolve o problema dos sabadistas e não transforma um final de semana em algo muito cansativo. Pode, porém, aumentar a evasão na segunda prova, mas, mesmo assim, acho bom.
2- Teremos cadernos de provas e respostas personalizados. Isto aumenta a segurança e dado o histórico de falcatruas, qualquer medida neste sentido é boa.
3- Haverá um maior número de isenções de pagamentos. Se um aluno for isento e não comparecer, perderá a isenção para o próximo ano, exceto se a ausência for justificada. Para mim, todos deviam ser isentos, mas vemos aqui uma típica jabuticaba brasileira. Cria-se uma obrigação, cobra-se por ela e isenta-se os pobres e oprimidos. É sempre assim, mas já achamos normal. Que coisa maluca.
4- O ENEM não valerá mais como certificado de conclusão do Ensino Médio. Para mim nunca deveria ter valido. São coisas diferentes.
5- Não serão mais divulgados resultados por escola. Aqui o grande acerto. O ENEM só poderia avaliar escolas se houvesse uma prova na entrada dos alunos no Ensino Médio e na saída dos mesmos. E só poderiam participar aqueles que ficaram na mesma escola durante todo o curso. Não sei se perceberam o absurdo que faziam ou cansaram de explicar porque as escolas públicas vão sempre piores que as privadas, mas isto tinha que acabar.
Como farão agora os campeões?
Será que vão divulgar o Projeto Pedagógico de cada escola? Vão falar da formação, estabilidade e valorização do corpo docente? Vão dizer como avaliam seus alunos e seu Projeto Pedagógico? Os pais vão poder escolher a escola dos filhos avaliando tudo isto e pensando se é isto que desejam para seus filhos? Finalmente todas as escolas e sistemas (públicos e privados) vão mostrar o que pretendem fazer?
Opa. Acordei. Kkkk. Isto seria um sonho e não vai acontecer. Provavelmente voltaremos aos números de aprovados em faculdades, conquistas em olimpíadas e troféus esportivos e sei lá mais o que. Já vi escolas mostrando banheiros e dizendo que são de mármore, iguais aos dos shoppings.
Meu Deus. Mas de qualquer forma é uma evolução. Passo a passo vamos caminhando. Se continuarmos assim, em uns duzentos anos teremos um sistema educacional competitivo com o resto do mundo. Mas é uma evolução. Vamos acelerar as mudanças? Isto é para outro dia

AUTOR

Maurício Fraçon

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