Blog - Um Educador em dois mundos

QUINTA-FEIRA, 23 DE FEVEREIRO DE 2017

Biápido

Chegou a hora de voltar para nossa casa no Brasil.Confesso que fiquei mais tempo do que esperava aqui. Meu terceiro neto nasceu quando ele quis e não quando pensávamos que ele iria nascer. Aqui quase não são feitas cesarianas (estranho não é? Mas não vou entrar nesta polêmica com os médicos brasileiros). Foi bom ficar bastante tempo aqui. Os Estados Unidos, como diz meu cunhado, são um país arrumado. Parece que todas as questões básicas estão resolvidas aqui. É fácil viver aqui e é fácil gostar daqui.
Voltar para o Brasil tem suas coisas boas. Rever amigos, família, nossa casa e o trabalho (e quanto trabalho). Mas tenho a convicção que estou voltando para um país desarrumado. Sempre desarrumado. Isto cansa um pouco. Desta vez estou tendo até que tomar vacina para me proteger da febre amarela. Será que vamos ter que trazer o Oswaldo Cruz de volta? Todas as doenças do século XIX estão voltando. Cólera, dengue, febre amarela e sei lá mais o que. E já sei que chegando ao Brasil, como sempre, estarei no grupo dos que podem morrer, porque nunca tem vacinas para todos. Muito triste. Já passei por isto naquela epidemia de H1N1, quando nem as vacinas e nem o remédio estavam disponíveis para todos.
Agora, tomo estas vacinas aqui. Sempre tem.
Vou, mas volto. Aqui pude observar como vai bem a nossa primeira escola, acompanhei a construção de nossa segunda escola (fui lá quase todos os dias) e assinamos um novo contrato para a terceira escola ficar pronta logo também. Já estamos olhando bem para a frente.
Vou, mas levo comigo uma frase que me foi dita por uma pequena criatura, muito, mas muito querida mesmo. Ela me disse: “volta biápido vovô”. Ouvi isto quando estava sentado na grama, com duas netas no colo e contando uma história para elas e suas bonecas. Esta frase vai ficar na minha cabeça todos os dias em que eu estiver no Brasil. Prometo, minha pequena querida: vou voltar bem rápido. Nem sabia que esta frase, para você, significava passagem de tempo, Para mim, era só noção de movimento. Como as crianças aprendem rápido hoje em dia. Impressionante.

QUINTA-FEIRA, 16 DE FEVEREIRO DE 2017

Um novo Ensino Médio

Hoje foi sancionada a Lei que cria um novo Ensino Médio no Brasil. Com as polêmicas de sempre porque foi apresentada como Medida Provisória e com as oposições e apoios que são consequências de um país dividido, vamos tentar nos ater ao pontos principais da nova lei:
1- Ela só começa, de fato, em 2019. Isto porque Base Nacional Comum Curricular só deve ser homologada no final de 2017 e as escolas teriam 2018 para se ajustarem. Isto não é bom.
2- Aumentar o tempo de permanência dos alunos na escola é muito bom. Trabalhamos com Ensino Médio Integral em nossa escola brasileira há muitos anos e só consigo ver vantagens. Todo o mundo desenvolvido trabalha assim. Só será preciso lembrar que o tempo de estudo em casa será menor e que aquele momento de consolidação do aprendizado terá que ocorrer na escola. Sob supervisão dos professores. Melhor não é?
3- A parte que permite ao aluno escolher parte de seu conteúdo me parece muito boa. Não sei como isto poderá ser operacionalizado nas escolas, mas se for possível irá melhorar a motivação para o aprendizado.
4- Quanto ao fato de profissionais com notório saber poderem dar aulas no novo Ensino Médio (com uma complementação pedagógica), isto só pode enriquecer o ambiente escolar. Estudei em escolas onde médicos, engenheiros, advogados, etc… eram professores e sempre foi muito bom.
Em resumo, em minha modesta opinião, exceto pela demora, temos um avanço neste nova lei. Só não sei se o lento e minucioso trabalho das corporações de sempre, não vai transformar o texto em letra morta. Ouvi uma vez uma frase, dita por pessoa que conhece as coisas, de que no Brasil, tem lei que pega e tem lei que não pega. Pode isto? No Brasil sim.
Creio que temos que avançar muito para um modelo educacional que funcione e transforme nosso país. Temos vários países bem sucedidos no mundo e poderíamos escolher um modelo pronto. Mas não faremos isto. Então, pequenos avanços tem que ser valorizados. Como este novo Ensino Médio. Agora vou ficar de olho na nova Base Nacional Curricular Comum. Podemos, com as duas coisas, dar um passo a frente. Se as ideologias deixarem, é claro.

AUTOR

Maurício Fraçon

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